Foto: Amr Serag / Unsplash
Um assunto relacionado diretamente com a forma como gerimos nossos negócios: um perfil de gestor bem específico, que tem a seguinte característica — dar pitadas.
Eu trabalhava numa empresa, há algum tempo atrás, em que o dono chegava às 8h30 da manhã, sentava em sua cadeira, abria o jornal, e ficava a manhã toda lendo o jornal.
Era assim todos os dias.
Isso me deixava bem irritado!
Eu pensava comigo: coisas do tipo "pqp, esse cara é um fdp, não faz absolutamente nada, como pode?"
E, pra piorar o meu estado de humor — ou de inveja —, além desse comportamento em todas as manhãs, ele não ia trabalhar de tarde.
Dá pra acreditar?
E veja só: a empresa ia super bem.
E eu ficava super chocado.
E assim era a rotina dele: uma pessoa que não fazia absolutamente nada — nada, pelo menos não aos meus olhos, na época!
Bem, eu observava tudo. Afinal, já naquela época eu estava dando, de certa forma, meus primeiros passos para me transformar no gestor que sou hoje.
E, de tanto observar, notei que, de vez em quando, ele chegava e dava um comando, uma instrução para alguma pessoa. E isso sempre me incomodava — eu pensava: "pqp, esse cara não faz nada e ainda por cima fica dando ordens?"
Mas eu tinha que me calar — afinal de contas, ele era o dono!
E, a cada uma hora, em média, ele dava alguma instrução para alguém. Em cerca de cinco minutos, dava a instrução.
Eu ficava chocado: "pombas, esse cara não faz nada."
Bem, mas ele exercia algum papel que certamente fazia a diferença.
Consigo entender isso hoje.
O que será que ele fazia, exatamente?
"As coisas certas que um gestor precisa fazer?", diria alguém.
Sim, claro. Mas, fugindo do óbvio, o que seriam essas coisas certas a se fazer?
Para melhor exemplificar: tempos atrás, conheci o dono de uma empresa que teve que demitir um parente, ao saber que este tinha ofendido um funcionário.
Foi a coisa certa a ser feita.
Isso certamente corrigiu o rumo que a empresa estava tomando — entendo que foi como aquela chamada de atenção que o dono de empresa que lia seu jornal dava em seus funcionários.
Analisando por outra ótica: quando nossa empresa começa a ir mal das pernas, temos a tendência de nos aproximarmos de coisas para as quais não temos a mínima vocação de contribuir.
Isto é: temos a tendência de fazer a coisa errada.
Por exemplo: começamos a nos reunir diariamente com o pessoal do financeiro, não é mesmo? Mesmo não sabendo nada, ou sabendo bem pouco, de finanças.
Temos a tendência de não fazer a coisa certa!
E se fosse nosso parente que tivesse ofendido um funcionário de nossa empresa?
A tendência seria mantê-lo na empresa, certo?
Aquele antigo dono da empresa em que eu trabalhava sabia disso também.
Administrar uma empresa significa lidar com decisões.
Tudo isso está dentro de uma visão estratégica que devemos ter da gestão de um negócio.
Importante reforçar: decisões tomadas acertadamente corrigem o rumo da empresa, e decisões só podem ser tomadas pelos gestores.
Agora vou ler o meu jornal. Logo logo vou dar algumas pitadas para o meu pessoal aqui — pode até ser que alguém pense que eu não faço nada — e pensar em outras ações acertadas, que contarei aqui neste espaço, oportunamente.
Este texto reflete os princípios NETAS — Natureza, Esporte/Educação, Trabalho, Amor e Saúde.